Nossa expectativa de visitar esta vinícola –boutique era grande, e tornou-se ainda maior devido à dificuldade de encontrá-la. Ela se localiza em San Vicente de la Sonsierra (La Rioja) .
Seu proprietário e enológo, Benjamim Romero, vem se tornando famoso com os seus excepcionais vinhos elaborados de modo quase artesanal, seguindo os passos de quando ele começou a produzir vinhos em pequena escala em uma garagem de sua cidade natal, San Vicente.
Em virtude do sucesso de seus vinhos de garagem, Romero começou a comprar vinhedos de vinhas antigas e hoje conta com 30 hectares, trabalhando com rendimento muito baixo, em torno de 1,5 kg por videira.
Ao todo, são 60 pequenas parcelas de vinhedos distantes da vinícola. E, como o volume de transporte é baixo as cestas de uvas são transportadas rapidamente em carro-furgão (fato inusitado e curioso). Isto permite a colheita das uvas em pequenas parcelas que são transportadas rapidamente para a vinícola e vinificadas em separado, parcela por parcela. A colheita (escolha de cada cacho) é tão criteriosa, que costuma acontecer em uma mesma safra, de colher na mesma fileira de videiras até 3 vezes seguidas, escolhendo em cada uma somente cachos de uvas com completa madureza.
Em continuidade a este rigor, a colheita também é separada por idade das vinhas. As uvas das videiras com idade entre 15 a 30 anos são destinadas a elaborar o vinho Predicador (rendimento de 1,5 kg). Já o vinho La Cueva del Contador é elaborado com vinhas com idade entre 30 a 40 anos (rendimento de 1,8 kg). E o vinho Contador, com uvas de vinhas com idade superior a 60 anos e com o incrível e baixo rendimento de 0,5 kg por planta.
Por gravidade, as uvas chegam nos tanques de madeira com capacidades que variam entre 6.000 a 9.000 litros, onde é realizado a fermentação alcoólica, e depois a malolática é feita em barris de carvalho francês de 225 litros.
Os critérios de exigência não param por aqui. Os barris são utilizados somente uma vez para o vinho top (Contador). Já o vinho Predicador, utiliza-se barris de segundo uso. Após o segundo uso esta vinícola não utiliza mais os barris. Os vinhos La Cueva del Contador e o Contador não são filtrados, aumentando assim sua complexidade nas garrafas durante sua longa vida. Somente o Predicador passa por filtragem. Tudo é em pequena escala. Até mesmo na quantidade de empregados: quatro na vinícola e dois no campo. Ninguém no comercial e vendas. Não é preciso. Seus vinhos são raros e para colecionadores (Contador 5000 garrafas, La Cueva 8000, Predicador 90.000 garrafas). Além destes tintos existe um branco elaborado em corte (degustação abaixo).
Degustação:
01: Predicador – 2011
Este branco elaborado com a casta Viúra (35%), Malvasia (33%) e restante de Garnacha Branca, foi fermentado em barris de carvalho de 225 litros e ficou depois 8 meses.
De cor amarelo, límpido e brilhante. Viscosidade alta. No nariz, aromas de excelente qualidade de leve madeira e frutas tropicais, com elegância. No fundo, surgiu um abacaxi. Na boca, macio, grande corpo, lembrando um Montrachet, da Borgonha. Um vinho branco de qualidade excepcional, não muito comum na terra dos tintos de Rioja. Retrogosto longo. Excelente. 90 pontos.
02: Predicador -2010
A curiosidade foi matada com este corte de 70% de Tempranillo e restante de Garnacha que passou 17 meses em barris de segundo uso. De cor violeta, intensa. Alta viscosidade. Carnudo. No nariz, aromas doces e complexos de muita fruta madura. A madeira está bem posicionada sem sobressair à fruta. Na boca, taninos maduros, potentes, grande corpo, equilibrado, macio, aveludado. Retrogosto longo. Excelente. 94 pontos.
03: La Cueva del Contador -2009 – 30 Euros
Este Tempranillo estava com a mesma cor do vinho anterior mas muito mais viscoso. Aromas complexos de alta intensidade passando por especiarias, cedro, baunilha e defumados. A cada minuto novos aromas. Na boca, completo, macio, equilibrado, carnudo, para mastigar. De grande estrutura. Taninos redondos e domados. Retrogosto longo. Excepcional. 95 pontos.