Um templo, uma majestosa e impressionante vinícola, cinematográfica. Um nome: Clos Apalta. Investimento de 10 milhões de dólares.
Desde que começamos nossa maratona de visitas às vinícolas, a Clos Apalta foi até agora a jóia, o destaque, ícone no contexto mundial. Seu vinho Clos Apalta foi considerado pela Wine Spectator o terceiro melhor vinho do mundo com a colheita de 2000 e o segundo melhor do mundo com a de 2001. No ano de 2008 se consagrou como o melhor vinho do mundo com a safra de 2005. É verdade! Um chileno que assombrou o mundo.
Ela fica no Valle de Rapel – Colchagua e no micro-terroir Apalta, entre a Cordillheira dos Andes e o Pacífico, em um vale em forma de ferradura cercado por montanhas dos três lados, que assegura um período de madureza das uvas longo e lento. As ladeiras das montanhas que envolvem este “ micro-terroir” bloqueiam os raios de sol, limitando a exposição das parreiras à luz solar intensa. Um lugar especial.
Tecnologia moderna e arrojada:
Esta vinícola foi construída dentro da montanha, entre rochas graníticas, mais de 30 metros de profundidade, que permitiu adotar a moderna tecnologia de vinificação 100% por gravidade.
São seis níveis incrustados nesta montanha de pura rocha que cria condição especial de baixa temperatura por toda a edificação, ideal para adormecimento do vinho.
Este projeto na vertical proporciona a todo o processo de elaboração do vinho, condições excepcionais para não entrada de oxigênio, eliminando assim a utilização de bombas para as trasfegas, necessárias quando o lay-out da vinicola é na horizontal. O cuidado não para por ai: as uvas são colhidas durante a noite e levadas para uma sala onde 10 mulheres retiram com suas mãos os galhos (usando luvas azuis) e separam cada bago de uva, descartando as piores, em um ritmo artesanal.
Cada mulher chega ao fim do dia separando 150 kg de uvas. Os tonéis cheios de uvas (somente grãos) recebem uma camada de gelo para evitar a fermentação espontânea antes de chegar à sala de recebimento de matéria prima. Em seguida os tonéis são conduzidos para o piso superior, caindo por gravidade para o segundo piso, onde são fermentadas em uma sala com 21 cubas pequenas de madeira francesa, que correspondem exatamente as 21 diferentes parcelas do vinhedo Apalta, personalizando cada micro-terroir deste lugar mágico.
A arquitetura desta sala de fermentação, bem como das salas de barricas segue a forma de uma elipse em total harmonia de proporções.
Após a fermentação por gravidade o vinho segue para o terceiro piso, denominado sala de primeiro ano, onde permanece por um ano em barricas de carvalho de primeiro uso.
Após esta dormência, as barricas (colocadas sobre um carrinho com rodas) são transferidas por elevador para o piso superior onde por gravidade o vinho é transferido para a sala de “segundo ano”, onde novas barricas estão prontas para receber este vinho e descansar por mais dois anos.
Nesta sala, ou melhor, no meio deste ”templo”, uma mesa elíptica de vidro grosso funciona como mesa de degustação e na parte interna uma adega descomunal, particular, dos donos franceses deste templo , os mesmos do famoso licor Grand Marnier. Uma majestosa e espetacular vinícola, com arquitetura para brilhar as retinas de Pedro.
O simpático embaixador da casa, Diego Urra acompanhou nossa estrelar degustação.
Degustação Clos Apalta
01: Sauvignon Blanc 2011
Um vinho para despertar nossa boca entreaberta com o luxo, com a arquitetura arrojada e criativa. De boa acidez, bom corpo e muita fruta. Uma preliminar para o que está por vir.
o2: Cuvée Alexandre Merlot 2008
Este premiadíssimo vinho se apresentou de forma elegante, de cor quase negra, muito extrato. De grande corpo. Na boca, ainda está novo e vai evoluir por muitos anos, mas já apresentando taninos macios, complexidade aromática. A cada circulada da taça, compotas de aromas de qualidade e alta intensidade, passando por couro e especiarias. Longa persistência. Um vinhaço. 92 pontos
o3: Clos Apalta 2009
Chegou a hora da meditação. Eu e Diego ajoelhamos para degustar este vinho, no centro do templo. Um corte de Merlot, Carmenère e Cabernet Sauvignon. Expressar este vinho com palavras é uma injúria. Prefiro meditar. Mais de 94 pontos. 95 pontos
2 Comentários. Deixe novo
Maravilhosa Vinícula e impressiona muito o método que utilizam para produção desta jóia.
Só temos que parabenizar as pessoas que escolheram este local ideal para os vinhedos e para a vinícula que deve ser a única à produzir vinho deste modo peculiar !!!
Impressionate esta vinícula!
Bom, Nat? Aqui é o Tito do Sto Tomás. No meio de Junho irei ao Chile, espero conseguir visitar algumas destas vinículas…
Boa sortes pra vocês!