O nome Kanonkop deriva de kopje (monte), de onde foi disparado um canhão no século XVII para alertar os agricultores nas áreas limítrofes de que navios que viajavam pelas águas entre a Europa e o Extremo Oriente haviam entrado em Table Bay para uma paragem na Cidade do Cabo.
A Kannonkop é uma vinícola antiga (1946) e tradicional. Localiza-se no coração da área vinícola de Stellenbosch.
Em seus vinhedos com área cultivada de 30 hectáries o destaque fica por conta da Pinotage que achou o seu “terroir” e produz uma média de 6 toneladas por hectare (4.000 lit/ha), enquanto que o Cabernet Sauvignon produz uma média de 4 toneladas por hectare (2.600 lit/ha).
A produção de vinho na Kanonkop segue a tradição antiga de ser feita em lagares abertos, construídos de alvenaria, objetivando assegurar o máximo de contatos do mosto com a casca. O mosto da superfície é misturado manualmente no máximo uma vez por hora. Durante este período, a temperatura das cascas está entre os 28º C e os 30º C, na qual a maioria da cor, bons taninos e sabores são extraídos. O tempo de contato com as cascas é de três a cinco dias.
A Kanonkop é mundialmente conhecida pela sua experiência com a casta Pinotage (uva tina híbrida desenvolvida na África do Sul, em cruzamento com a Pinot Noir e a Cinsault). Nesta vinícola o sistema de condução utilizado para a Pinotage é por arvoredo, que possibilita ter menor rendimento contrariamente se fosse pelo sistema de espaldeira. 50% da área de vinhedos é destinada a esta uva emblemática deste belo país.
Além, são plantadas as tintas, Cabernet Sauvignon,Merlot, Mouvèdre, Shiraz e as brancas Chardonnay, Pinot Gris, Sauvignon Blanc, Semillon e Viognier, que geram vinhos tintos (70%) e restante de brancos.
Degustação na Kanonkop:
01: Kadette Pinotage Dry Rosé 2013 – R42,00 (Rand=US$4,2)
Este Rosé é elaborado com 50% de Pinotage e 50% de Merlot, com 2 horas de maceração que gerou um vinho de cor rosa claro. Boa intensidade aromática. Na boca de corpo leve, fresco. Para ser bebido à beira da piscina ou na maravilhosa praia de Camps Bay, próxima a cidade do Cabo. Vinho bem elaborado. Bom. 83 pontos.
02: Kadette Pinotage 2012 R75 (U$7,5)
Este vinho passou em barricas de segundo uso, objetivando não aportar muita madeira, seguindo a proposta do enólogo de apresentar um vinho leve, para o dia a dia, para beber sem muito compromisso. Ele se apresentou de cor violeta, brilhante, mostrando toda sua jovialidade. Viscosidade baixa. Aromas leves e delicados de cereja, mas sem muita expressão e intensidade. Na boca, ainda jovem para beber. Taninos agressivos. Retrogosto curto. Bem elaborado. Para o dia a dia. Razoável. 76 pontos.
03: Kadette Blend 2011 – R70,00 (US$7)
Um corte de 58% de Pinotage, 30% de Cabernet Sauvignon, 14% de Merlot e restante de Cabernet Franc. A presença Pinotage neste corte bordalês é chamado de Cape Blend e a regulamentação local estipula que a participação desta uva no corte deve ficar entre 30 a 70%.
O vinho mostrou uma cor violeta claro. Baixa densidade.Fraco de aroma. Na boca, macio, de corpo leve. Retrogosto curto. Bem elaborado. Para o dia a dia. O interessante é o excelente custo qualidade. Razoável. 78 pontos.
04: Kanonkop Estate Wine Pinotage 2011 – R230,00 (US$23)
Este vinho vem de vinhas velhas com mais de 40 anos e passou 16 meses em barricas de carvalho frances de segundo uso e 80% em barricas novas. De cor violeta. Viscosidade média. Nariz de intensidade média para longa, sobressaindo aromas de baunilha. Na boca de corpo médio, equilibrado, sem mostrar muita coisa. Retrogosto curto. Bom. 82 pontos. O preço é um pouco salgado pelo que apresenta o vinho.
05: Kanonkop Estate Wine Cabernet Sauvignon 2010 – R200,00 (US$20)
Este vinho passou 2 anos em carvalho francês de primeiro uso. De cor granada. Aromas intensos de frutas silvestres. De grande corpo. Bastante estruturado, com taninos maduros e domados. Equilibrado. Retrogosto longo. Muito bom. 89 pontos.
06: Paul Sauer 2010- R700,00 (US$70).
Este tinto em corte com 68% de Cabernet Sauvignon, 16% de Cabernet Franc e 16% de Merlot passou 22 meses em carvalho francês de primeiro uso. De cor granada. Alta viscosidade, com lágrimas demorando a cair pela parte interna da taça. Aromas intensos de couro de ótima qualidade. Na boca grande corpo, com presença marcante de pimenta negra, diferenciando-o. De longo final de boca, complexo, especial. Excelente. 90 pontos.
Leila Haddad, a quarta componente do grupo de degustação, ficou impressionada com o estilo dos vinhos varietais elaborados com a Pinotage, a uva emblemática da África do Sul.