Fomos recebidos pelo simpático Jesús Arechavaleta que com entusiasmo nos explicou a ligação entre os vinhos desta importante vinícola (próxima a cidade de Logroño – Rioja) com a mitologia.
Esta vinícola possui uma ampla galeria de artes com quadros e esculturas de deuses gregos, feitos pelo artista Miguel Angel Sáinz.
A escultura de Ganimedes está na fachada principal e simboliza a união entre a expressividade artística mítica da vinícola com o mundo exterior.
A escultura de Persefone representa o símbolo da potência seminal, em um corpo jovem pronto para ser madre, com seios jorrando leite materno, segurando em um dos dedos da mão uma uva. Este mito evoca o silêncio das profundidades da terra, enigma do nascimento da videira.
Centauro, filho de Dionísio e Ariadna, foi o criador do vinho e rei da ilha de Quios onde surgiram os melhores vinhos da Antiga Grécia. Esta obra mostra o transporte de ânforas de vinho no lombo de um centauro.
A estatueta de Dionísio com sua esposa Ariadna representa o mito de germinar e o florescer da natureza. A mão de Dionísio pressionando o peito da mulher em posição moribunda que ao despertar encontra-se em estado de fertilidade semelhante às vinhas em estágio de brotação na primavera.
Dos seus vinhedos plantados em 250 hectares de terra (76% com Tempranillo,, 7% de Garnacha, 15% de Graciano e 2% da casta branca Viura) a conceituada Bodega Otañon gera cerca de um milhão de garrafas por ano de vinhos, comandada pela 5ª geração da família.
Degustação na Ontañon:
01: Rosé de Tempranillo – Vetiver – Doc – 2011
De cor salmão claro. Viscoso. No nariz, aromas frescos de rosas. Na boca, de corpo médio, equilibrado, bem elaborado. Retrogosto médio. Bom vinho. 84 pontos
02: Vetiviver Bodega Ontañon – 2009
Este branco varietal com a casta Viúra se apresentou de cor branca esverdeada. Viscosidade média. No nariz logo surge aromas de maçã verde e depois abacaxi por amadurecer e amêndoas, em um quadro de excelente complexidade. Na boca bom ataque, acidez que enche a boca, equilibrado, macio, delicado. Termina muito bem com a madeira bem colocada. Retrogosto longo. Excelentvinho. 91 pontos.
03: Vetiviver Bodega Ontañon – 2006
O mesmo vinho de safra mais antiga se apresentou com cor mais intensa do que o anterior, amarelo mais forte. Alta viscosidade. No nariz mais complexo do que o vinho anterior, mostrando aromas de pão tostado e aromas lácteos. Na boca, macio, de grande corpo, equilibrado. Retrogosto longo. Vinho excelente. 93 pontos.
04: Arteso Crianza – 2008
Um tinto em corte com 75% de Tempranillo, 15% de Graciano e restante de Garnacha, que passou 15 meses em barris de carvalho francês se apresentou de cor violeta, brilhante apesar de seus 4 anos de vida. Viscosidade média. No nariz, aromas de azeitona preta, depois surge a marmelada doce. Na boca, um pouco fugidio. De corpo médio. Bem elaborado. Retrogosto médio. Os seus taninos não estavam bem maduros, com leve adstringência. Bom vinho. 84 pontos.
05: Ontañon Reserva 2004
Este corte de 95% de Tempranillo e restante de Graciano de cor rubi estava com viscosidade alta. Aromas de couro de ótima qualidade. Alta intensidade aromática. Na boca, boa carga de taninos, já domados, mas levemente verdes. Retrogosto médio. Muito bom. 86 pontos.
06: Ontañon Gran Reserva 2001
Mesmo corte anterior de cor vermelha granada já mostrando sua idade, mas ainda brilhante. Alta intensidade com nariz de excelente qualidade sobressaindo madeira e terminando com pimenta negra. Lágrimas rosadas mostrando muito extrato. Na boca, excelente acidez que refresca o conjunto potente, taninos maduros, domados, macio, aveludado. Retrogosto médio. Excelente vinho. 90 pontos.
07: Cosecha Tardia – 2011
Este vinho de sobremesa elaborado com a variedade Moscatel se apresentou com cor palha para esverdeado. No nariz aromas primários (característico desta uva), delicados, lembrando um maracujá e passando pela lichia. Na boca, enjoativo, curto e fugidio. Não é o estilo que gosto de vinhos de sobremesa de colheita tardia.