A moderna e espectacular vinícola Pago de Carraovejas fica a 2 km da cidade de Peñafiel, em Ribera del Duero.
Fomos recebidos pelo jovem Pedro Ruiz filho do famoso José Maria Ruiz, proprietário do restaurante de mesmo nome e idealizador desta vinícola de vanguarda, inaugurada em 2003.
Ficamos impressionados com o excesso de controle em cada etapa do processo e do trabalho incansável e obstinado de pesquisa científica realizado pela sua equipe. Pedro é exigente em termos de qualidade.
Tivemos a rara oportunidade de acompanhar um teste da qualidade das rolhas de cortiça, onde é verificado as tolerâncias dimensionais, densidade, teste de aderência da mesma no gargalo da garrafa, a existência ou não do TCA (fungo que gera o “bouchonet” – gosto de papelão que estraga o vinho), defeitos nas rolhas, etc.
Seus vinhedos com as castas: Tinta del País (Tempranillo), Cabernet Sauvignon e Merlot formam um quadro fotográfico impressionante tendo como “fundo de pano”, um castelo medieval.
As parreiras são irrigadas pelo sistema de gotejamento com controle por computadores. Nos vinhedos estão instalados sensores hidrômetros para controlar a umidade do solo e o “stress” hídrico. Tudo em parceria com duas universidades espanholas. É a pesquisa em favor da elaboração de grandes vinhos, modernos.
A colheita é manual e o transporte das uvas é realizado por gravidade utilizando grandes reservatórios chamado de O.V.I. , os quais são içados por uma ponte rolante cujo trilho circula pela parte superior dos tanques de fermentação. Esta técnica é considerada como uma das mais modernas para o manuseio de uvas.
A vinícola tem forte preocupação ambiental, levado em consideração no projeto arquitetônico, com o telhado dos prédios recebendo uma cobertura de grama objetivando melhor isolamento térmico. Em um outro prédio, o teto é coberto de pedras e canaletas para colher a água da chuva.
Em uma tarde com um lindo pôr do sol degustamos dois excelentes vinhos.
Degustação na Carraovejas:
01: Pago de Carraovejas – 2010 – 20 Euros
Um corte de Tinto Fino, com 95% e restante de Cabernet Sauvignon, que passou 12 meses em barris de carvalho francês. De cor violeta, quase negra, bastante intensa. Alta viscosidade, com lágrimas rosadas mostrando muito extrato. No nariz, aromas potentes, alta intensidade aromática de frutas maduras de fambroesa. Final de aroma doce. Na boca taninos maduros, macios, ótima acidez que enche a boca. Equilibrado. Retrogosto longo. Vinho excelente. 93 pontos.
02: El Anejón de La Cuesta de Los Liebres – 2009
Violeta, opaco, quase negro. Cor mais intensa do que o vinho anterior. Alta viscosidade, quase um xarope. No nariz, aromas delicados de madeira, defumados, chocolate e muita fruta madura bem equilibrada com a madeira. Na boca, taninos domados, doces. Vinho de morder, grande peso na língua mas ao mesmo tempo elegante. Retrogosto longo. Vinho excepcional. 96 pontos.
Após visita a esta vinícola fomos convidados para conhecer o famoso e típico restaurante do fundador desta vinícola, pai de Pedro, o simpático e excêntrico sommelier, José Maria.
O seu restaurante fica na cidade de Segóvia, património da Humanidade pela Unesco. Começamos o jantar com uma sequência de entradas.
Este restaurante tornou-se famoso pelo prato El Cochinillo assado no forno, que foi servido com muita pompa e malabarismo pelo seu idealizador, José Maria, harmonizado com o seu vinho de Autor, tinto Carraovejas que é comercializado somente em seu restaurante.
Tivemos a oportunidade de conversar e entrevistar este importante sommelier. Foi um papo muito agradável que detalhadamente explicou como o prato El Cochinillo é preparado e os cuidados e exigências do acompanhamento do crescimento do leitão até o seu abate que ocorre logo depois de desmamado, cerca de 22 dias.
Em virtude disto a carne é ultra macia e para servi-lo José Maria corta-o na frente dos comensais utilizando um prato ao invés de facas, em um ato circense e cinematográfico.
Um lance de mestre de marketing. Genial e característico que ajuda a lotar os seis ambientes deste aconchegante e diferenciado restaurante.
Seu sucesso, não é a toa. José Maria é um homem simples, objetivo e perseverante. Tão obstinado que tomou a iniciativa de ser o presidente dos criadores de leitão para obter sempre o mesmo padrão de produto; leitões desmamados entre 15 a 20 dias, com peso entre 5 a 5,3 kg, na hora do abate.
Tudo é controlado na pocilga, desde a alimentação balanceada e criteriosa das 400 “madres”, até a base genética das matrizes, os cruzamentos, a alimentação e os cuidados assépticos e sanitários. Todos estes cuidados geram leitões macios, saborosos e diferenciados, com uma pele fina e crocante, com somente 7,5% de gordura, 5,4% de proteína e 4,7% de lactosa. Um néctar que desmancha na boca.
Durante o jantar José Maria contou sua bela história, de seu belo sonho de ter seu próprio vinho no restaurante. Obstinado como era implantou a espetacular vinícola Carraovejas e criou seu próprio vinho. Ésta é uma bela história de vida, garra e determinação, contada com alegria e amor por este exemplo de pessoa de sucesso.
Foi uma noite inesquecível. Foi uma bela noite que conhecemos uma pessoa interessante e batalhadora e de sucesso.
No dia seguinte fomos conhecer os pontos turísticos de Segóvia, uma volta ao passado. Uma volta na idade média.