Em uma manhã de céu azul, o Motorhome estacionou na casa da família Carraro: Sr Lídio, sua esposa Isabel e os filhos Giovanni, Juliano, Patrícia e a enóloga Mônica Rossetti.
A vinícola Lidio Carraro é a expressão máxima do Vale dos Vinhedos quando o assunto é vinícola de boutique, cujo conceito é elaborar vinhos em baixa escala de produção, únicos e diferenciados.
A filosofia da Lidio Carraro é da não passagem de seus vinhos em barris de carvalho, quebrando paradigmas de que vinhos complexos somente são atingidos com a utilização de madeira. A simpática, falante e charmosa enóloga Mônica comenta que a sua filosofia e o seu foco são de conduzir todo o processo com o mínimo de interferência e o máximo de respeito ao terroir, conseguindo assim obter vinhos estruturados e complexos sem a passagem tradicional pela madeira. É o conceito de “Vinho Puro”.

Mônica Rossetti e Juliano Carraro
Outra prática interessante da maneira diferente de fazer vinhos de Mônica é a vinificação em parcelas de terrenos(micro-terrois). Para criar um vinho de corte, vinifica-se em separado um Merlot da parcela A, um Merlot da parcela B, um Cabernet Sauvignon da parcela D, um Tannat de outra parcela, colhendo e vinificando as uvas de cada parcela separadamente. Até mesmo para criar um varietal, a Lidio Carraro vinifica em separado cada parcela da casta em questão. É um trabalho complexo, sincronizado, que exige uma gestão integrada entre as toneladas colhidas dos vinhedos e a capacidade dos tanques de inox da cantina, pequenos para extrair o máximo dos componentes da uva para o vinho.

divisão do terreno em parcelas

parcelas do micro terroir -seis vinificações em separado para fazer este vinho
A família Carraro apresenta ao mercado duas famílias de vinhos, a Sul Brasil cujos rótulos grifam: Da’divas e Agnus (nome grego que significa cordeiro, dando um sentido purista ao vinho) e a Linha tradicional Lidio Carraro: Elos, Singular e Grande Vindima.

Família Elos

Família Carraro
Ao lado dos barris de inox degustamos os vinhos:
01: Chardonnay Da’divas – 2011
Aromas intensos de frutas brancas, sobressaindo um abacaxi tropical, no fundo aromas de pera e maçã e uma interessante mineralidade. Muita fruta e um ar de sofisticação. Bom de boca, retrogosto longo, que comprovam a filosofia de Mônica de obter vinhos complexos sem uso de madeira.
02: Pinot Noir Da’divas – 2011
Um Pinot Noir delicado, leve, fresco, aromas de cereja, muita fruta, harmônico, prometendo daqui a alguns anos maior complexidade. Um vinho gastronômico. Retrogosto médio.
03: Merlot Agnus- 2009
No nariz presença de frutas vermelhas, passando por aromas terciários de chocolate, comprovando mais uma vez a presença de complexidade sem passar pela madeira, mais uma vez quebrando paradigmas. Um vinho elaborado com a paciência de Mônica.
04: Elos – Carbenet Sauvignon e Malbec – 2008
Este corte onde a casta Sauvignon aporta especiarias e masculinidade e o Malbec entra com a feminilidade. Muita fruta com a presença do mentol, passando por aromas de torrefação. Jancis Robinson degustou este vinho e deu nota 18 em 20. Pelo meu critério um quatro estrelas, dentro da faixa de 90-94 pontos em 100. Belo vinho.
05: Elos – Touriga Nacional e Tannat 2008
Um corte atípico da mais importante casta portuguesa, a Touriga Nacional com a Tannat. Vinho de personalidade forte, que mostra rapidamente na boca a que veio. Ataca com aromas florais e termina com aromas animais de couro do Tannat. Segundo Leila, uma floresta na boca. Potente e macio. Os opostos das duas castas se atraem, reafirmando o nome ELOS, virtudes independentes que criam um bom conjunto.
06: Lidio Carraro Merlot 2005 – Grande Vindima
Este vinho somente é elaborado em grandes safras. Um vinho de 2005, idade de 6 anos, que mesmo sem passar por barricas ainda mostra que pode evoluir mais. Está quase em sua plenitude, com notas terrosas, taninos macios. Ótimo vinho.
07: Lidio Carraro Quorum 2005 – Grande Vindima
Representa bem a tipicidade do vale dos vinhedos. O único de seus vinhos produzido com uvas do Vale dos Vinhedos. Um vinho com 14% de teor alcóolico, corte de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat, apresentou-se com corpo denso e retrogosto longo.
o8: Prova de barril
A surpresa de Mônica. Uma taça sangrada diretamente do reservatório de inox foi apresentada ao enófilo Horácio. “E agora que casta é esta?”, disse Mônica. Um silêncio, branco. Acho que é uma casta italiana, disse Horácio. Será a Nebbiolo? Sim. Não acredito! Um Barolo do Vale dos Vinhedos… O “Barolo brasileiro” apresentou taninos agressivos, que com o tempo vai se harmonizar melhor. Mesmo muito jovem já mostrou que será um vinho diferente da Serra Gaúcha. Ufa, esta eu escapei por pouco…
Um abraço carinhoso da familia Barros para a familia Carraro.
A vinícola recepciona turistas durante todo o ano, com atendimento personalizado e feito por alguém da família, das 08:00 as 18:00 horas (inclusive nos finais de semana).
Visitas podem ser agendas pelo e-mail: vinhos@lidiocarraro.com
Visitas pela internet pelo site: www.lidiocarraro.com
1 Comentário. Deixe novo
Serra Gaúcha minha terra natal.
Vale dos Vinhedos, paisagem européia, belas vinícolas… Carraro D+
Saudades desses parreiral, pisar uva…
Boa estadia.