

A vinícola Casa Silva se localiza no Valle de Colchagua, próximo à cidade de San Fernando, berço da casta emblemática do Chile, a Carmenère. Grande variedade de estilos desde os mais concentrados até os mais leves. O destaque é o Carmenère Micro Terroir, do vinhedo de Los Lingues. Este vinho obteve 92 pontos por Patrício Tápia. Os vinhedos Los Lingues é a terra do Carmenère e nos vinhedos de Lolol a Casa Silva mostra todo o potencial da casta Syrah.
Tivemos o privilégio de passar dois dias conversando com um dos mais importantes enólogos da América do Sul, o simpático e amável, Mário Geisse, que gentilmente nos convidou para pernoitar e jantar em sua casa, onde conhecemos sua esposa Joana e adorável filha Renata, de 5 anos. Mário Geisse é diretor enólogo da Casa Silva no Chile além de ser o proprietário da famosa Cave Geisse, localizada em Pinto Bandeira, próximo a Bento Gonçalves, dirigida pelos seus filhos. Em toda safra, Mário se desloca para o Brasil para apontar o ponto ótimo de colheita das uvas e os “pulos de gato”de como elaborar o melhor espumante brasileiro, entre os grandes do mundo. Seu espumante Rosé é considerado o quarto melhor do mundo.
Caminhando entre as vinhas do vinhedo, Mário deu uma aula para nossa equipe, mostrando a importância de colher a uva em seu ponto de madureza completa. Diz ele: a uva deve ser colhida quando se atinge a madureza total da polpa, casca e semente. Além, aprendemos como usar o aparelho de medição de teor de açúcar na uva, (grau Brix), um bom sinalizador da evolução da madureza.
Medimos e a uva estava com 25 de grau Brix, para o Cabernet Sauvignon e 23,5 para o Carmenère, quase no ponto, mais uma semana ou em 10 dias poderá ocorrer a colheita. Mas, a hora certa da colheita de cada parcela quem define é a prova do enólogo, apertando a uva e esmagando-a. Se a semente solta da polpa é sinal de ela está no ponto para colher, somado a madureza da polpa e da casca. Mário mostrou o corte de um terreno (com as raízes à vista) explicando que nesta área pedras e areia rolaram a milhões de anos da Cordilheira, depositando-se sobre o terreno original formando uma faixa entre 1 a mais de 2 metros de profundidade. E, que nem em todos os locais do Chile, a faixa de pedras atinge a profundidade superior a 1,5, ideal para cultivar a Carmenére. Neste micro-terroir da Casa Silva ela é superior a 2 metros. Atingir esta profundidade é fundamental para o Carmenère. Já para o Cabernet Sauvignon não é necessário atingir.
Convidados, fomos para almoçar no excelente restaurante recém-construído, após o antigo ter sido destruído pelo terremoto de fevereiro de 2010 que assolou esta região. Um lugar mágico entre vinhedos e ao lado de um campo de Pólo. Os proprietários da familia Silva são aficionados por este esporte e Casa Silva tem uma equipe que participa de campeonatos, mundo afora. Pela 1ª vez, tivemos a oportunidade de assistir um jogo de Pólo.
O foco da Casa Silva é o Carmenère. E por sorte ou coincidência, ou magia de nosso projeto fomos convidados a acompanhar a tomada de decisão de uma etapa do mais importante de um estudo de clones (estudo genético) da planta Carmenère, nunca realizado em nenhum outro pais e que está sendo desenvolvido no Chile, em parceria com a Casa Silva, outros enólogos e Universidades do Chile. De 1ª mão, um furo jornalístico para o mundo, nossa equipe participou dos debates, sacamos fotos e gravamos em vídeo, a conclusão preliminar de que existem dois clones identificados de Carmenère, com possibilidade de um terceiro, que necessita de novos estudos.
A conclusão foi de que existem dois clones, com a remota possibilidade de um terceiro, que necessita novas comprovações. Acompanhados a colocação de etiquetas vermelhas e verdes nas placas localizadas na cabeça de cada fileira de mudas plantadas em Los Lingues. Estas placas foram coladas para mostrar os clones, definidos em estudo de laboratório pela equipe de mais de 20 cientistas, que fazem parte deste grupo de investigação. As uvas de cada clone serão colhidas, dentro de 15 dias e serão feitas micro vinificações de cada clone para comparar as características de cada vinho. No futuro, o grupo pensa em plantar cada clone em várias regiões do Chile para verificar seu comportamento.
O entusiasmo de Mário Geisse em nos apresentar o este micro-terror foi completado com a degustação, ao lado dos vinhedos experimentais de clones, degustando o excepcional vinho Carmenère Micro Terroir, considerado pelo guia Descorchados de Patrício Tapia de (2008), o melhor Carmenère do Chile e obteve 92 por Parker. Este vinho tem uma produção limitada, somente 12.000 garrafas. Mário Geisse, explica que o objetivo deste vinho é de não buscar a sobre madureza desta casta, com é feito em outras localidades, para tentar esconder os aromas vegetais que esta casta geralmente apresenta quando não está muito madura.
Um vinho de alma, um vinho que mostra toda a dedicação e conhecimento técnico de Mário Geisse. Um vinho de meditação, um vinho de sonhar de estar em um “micro-terroir” mágico para esta casta que praticamente só existe no Chile. Um momento especial para a equipe do projeto WWA.
Acompanhado pelo simpático Thomas Wilking, responsável pela Gerência de Marketing almoçamos novamente no restaurante, onde foi servido um Melro harmonizado com um dos melhores Sauvignon Blanc do Chile, o Cooal Coast 2011, do novo vinhedo de Paredones, mais próximo ao mar em sentido da cidade de Bucalemu. O vinho se apresentou com grande untuosidade, e estrutura e com uma mineralidade “ à la Chablis” que impressiona. Um vinho de 91 pontos, excelente.
Degustação na Casa Silva
Além dos dois vinhos degustados no almoço (Sauvignon Blanc Cooal Costa) e do Carmenère Micro Terroir, Mário Geisse premiou com uma degustação de outros vinhos.
01: Chardonnay Grand Reserva Angostura 2011
Um Chardonnay fresco que teve leve contato com a madeira, mostrando elegância e caráter do terroir. Este vinho passou pela malotatica, com isto apresentou no nariz e na boca aromas e gosto lácteo, de ótima complexidade. Ótima presença e ataque de boca. Persistência longo. Um bom Chardonnay.
o2:Carmenere Gran Reserva Los Lingues 2009
Boa estrutura, com taninos domados, maduros e suaves. Ótima acidez, que enche o meio da boca. Ótimo exemplar.
o3: Syrah de Lolol 2009
Este Syrah extraído do vinhedo de Lolol, localizado depois da cidade de Santa Cruz, sentido da costa do Pacífico. Mostra aromas intensos de carne selvagem e suor de cavalo. Ótima acidez, equilibrado, de bom ataque de boca e final persistente. Excelente vinho.
o4: Petit Verdot 2009
Esta casta é muito utilizada em vinhos de corte, (assemblage: mais de uma uva). Este varietal apresentou taninos potentes, (uma forte característica desta casta). No nariz intensos aromas de pimenta preta. Como diz Mário Geisse: um vinho “boxeador”. Ele dá uma “porrada”, na boca. Um vinho para conhecedores e de difícil palato para os iniciantes. Um vinho ao estilo da personalidade interessantíssima de Mário Geisse.
o5: Quinta geração 2008
Um “ässembage” de 5 castas: Cabernet Sauvignon (para dar força com seus taninos), Petit Verdot, (para aportar taninos potentes e agressividade), Syrah (para aportar taninos suaves e aromas de especiarias). Este coquetel de taninos diferentes se nota novinho que se apresenta redondo, com cada carga de taninos de forma harmônica enchendo a boca e com vontade de mastiga-los. Complexo, de longa persistência e retrogosto de excelente qualidade.
o6: Altura- 2005
Mário Geisse em deferência a nossa equipe nos fez esta surpresa abrindo uma garrafa deste ícone da vinícola que normalmente não se abre em degustações e feiras de vinhos.Um corte de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot dos vinhedos de Los Lingues. Somente 5.000 garrafas produzidas, que desperta a curiosidade dos colecionadores e enófilos de todo o mundo. Basta dizer que é o melhor vinho da Casa Silva. Apesar dos seus 7 anos de vida, o vinho se apresentou com ótima vivacidade e frescor. Um excelente vinho, um vinho para degustar de joelhos.
Um conselho de nosso amigo Mário Geisse: “Vocês que estão realizando esta façanha de volta ao mundo do vinho e que terão oportunidade de degustar vinhos diferentes, estilos diferentes, propostas e filosofias de vinificação que demonstra o que é a beleza do mundo do vinho. Se todos enólogos pensassem iguais teríamos vinhos padronizados Cada um tem a sua preferência. Fechei este ensinamento: Vinho se constrói com conhecimento, com paixão. Esta foi a impressão que tivemos deste famoso enógolo. Obrigado Mario Geisse pelas aulas durante os dois dias que ficamos mais de 20 horas conversando sobre vinho. Um momento da viagem para não se esquecer. Combinamos quando retornar ao Brasil em 2014 comemorar abrindo um espemante Cave Geisse. Um forte abraço a familia Geisse.
Em tempo: Tivemos também a honra de entrevistar Yerko Moreno, uma dos “papas” da viticultura chilena e chefe da equipe de investigação de clones de Carmenère. Breve, na TV WWA lançaremos sua entrevista.
1 Comentário. Deixe novo
oi.
otima esplanaçao, so faltou o preço dos vinhos….