A Grécia teve papel importante na histórica do vinho na antiguidade, tendo mantido sua cultura vinícola até os dias de hoje. A viticultura moderna deve muito das práticas dos gregos antigos. As evidências de sítios arqueológicos na Grécia, na forma de resquícios de uvas de cerca de 6500 anos comprovam que os gregos foram os primeiros viticultores da Europa. A partir de 1000 a.C, o vinho da Grécia era exportado através do Mediterrâneo para a península Ibérica e espalharam o cultivo de uvas na Sicília, no sul da França e na Espanha.
Para o gosto contemporâneo, o vinho daquela época era bastante incomum. “Homero, o descreveu como: delicado e suave, mas apesar do romantismo e das tradições festivas que a bebida evocou na época, o vinho da Antiguidade era ingerido com água do mar e reduzido a um xarope tão espesso e turvo que tinha que ser coado num pano e dissolvido em água quente”, afirma o historiador inglês e enólogo Hugh Johnson, autor do livro: A História do Vinho.
Para os gregos o vinho foi um presente do Deus Dionísio… Na mitologia grega, Dionísio era o deus do vinho, pois possuía os segredos do plantio e da produção do vinho. Filho de Zeus (deus dos deuses) era também associado às festas prazerosas. Ele era um dos doze deuses olímpicos e habitava no Monte Olimpo e passou a ser conhecido na mitologia romana como Baco.
Em pleno Mediterrâneo, próxima dos principais países produtores de vinho do mundo, a Grécia apresenta vinhos de grande de tipicidade única, pois são produzidos em seu clima peculiar e diverso (ilhas tórridas às montanhas frias envoltas em neblinas) com uvas autóctones, principalmente as brancas que tornaram uma opção interessante para sair do “batidão” dos vinhos internacionais elaborados com as principais castas brancas francesas: Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Em virtude das características climáticas e geográficas, os produtores gregos trabalham com pequenos volumes de produção, dedicando-se mais à qualidade diferencial de seus produtos que às grandes escalas de produção.
As principais regiões produtoras de vinhos da Grécia são: Macedônia (norte do país), Grécia Central, Peloponeso (Mantinía, Neméa e Patras) e as ilhas de Santorino e Creta.
A Grécia tem entre 300 a 500 uvas autóctones, a maioria desconhecida no mercado internacional. As mais conhecidas internacionalmente são as brancas Assyrtiko, Moschofilero, Roditis e Malagousia. Outras brancas também se destacam: Aidani, Athiri, Debina, Malagousia, Moschofilero, Muscat de Samos, Robola, Savatiano e Vilana. As castas brancas francesas mais plantadas na Grécia são a Chardonnay e a Sauvignon Blanc. Entre as tintas destaque para: Agiorghitiko, Xinomavro, Mandelaria e Mavrodaphne. As tintas fracesas mais cultivadas são a Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah.
Mas, o forte da Grécia são os vinhos brancos com destaque para os vinhos varietais elaborados com a Assyrtiko, comprovada durante nossa visita à Grécia onde degustamos vários vinhos elaborados com esta interessante casta, principalmente dos vinhos oriundos da ilha de Santorini, onde ela mostra todo seu potencial e tipicidade. Ela pode ser fermentada tanto em tanques de inoxidável ou em barris, apresentando estilos diferentes ou mesmo pode ser usada para compor com outras duas castas brancas, (Aidani e Athiri), o maravilhoso vinho de sobremesa, o Vino Santo.
Entre as tintas destaque para a Xinomavro mais cultivada na Macedônia é uma cepa de difícil cultivo e pode gerar bons vinhos quando atinge seu completo amadurecimento, pois ela é muito acida e adstringente. Alguns chegam a compará-la a Nebbiolo, a uva do Barolo.