Vinhos do Canadá?
Sim, estou apostando. Em um futuro próximo o Canadá poderá surpreender. Mas por enquanto o estilo atual dos vinhos do Canadá são mais leves, sem muito extrato, de corpo médio e com acidez um pouco elevada e de boa harmonização.
O Canadá tem pouca influência no mercado internacional de vinho, estando em 34a posição em produção, porém, é um grande consumidor do produto. Nestes últimos 10 anos o consumo de vinho pelos canadenses cresceu seis vezes mais rápido do que a média mundial. Toda a sua produção é voltada pro mercado interno, e é o 5º maior importador do mundo, em volume.
Seus vinhos são desconhecidos, entretanto é o país que elabora o maior volume de vinhos de sobremesa do tipo Ice Wine (vinho do gelo), o qual vem ganhando muitos prêmios internacionais.
British Columbia
A Britishh Columbia é a segunda maior produtora de vinhos do Canadá, mas em qualidade seus vinhos são superiores aos de Ontário, exceto os espumantes e os Ice Wine.
A principal região vinícola de British Columbia é o Okanagan Valley, próximo de Vancouver. Um vale lindo, uma paisagem verde estonteante. Vinhedos em espaldeira muito bem cuidados, formando um desenho mágico entra a parte plana, as encostas desérticas da Coast Mountain Range e o lago Okanagan.
Os melhores vinhedos deste vale se estendem entre as cidades de Osoyoos (perto da fronteira com os Estados Unidos) e Oliver (considerada a capital do vinho canadense), com cerca de 40 vinícolas.
A casta tinta Merlot se adaptou bem na British Columbia, principalmente no Okanagan Valley. Entre as brancas o destaque fica por conta da casta Pinot Gris. Outras brancas interessantes são a Chardonnay, Semillon, Viognier, Gewurztraminer e Sauvignon Blanc. As principais tintas cultivadas são: Cabernet Franc, Syrah e Cabernet Sauvignon. Algumas pequenas áreas de Malbec e Petit Verdot para apoiar na elaboração de vinhos utilizando o corte bordalês.
As principais vinícolas são: Antelope Ridge, Le Vieu Pin, Tinhor Creek, Gehringer Brother, Inniskillin, Road 13, Black Hills, Burrowing e Cedarcreek.
Abaixo: vista de Okanogan Valley onde estão localizadas as principais vinícolas desta bela região.
Black Hills
A vinícola Black Hills é um dos destaques da região de Okanogan, Canadá.
Degustação:
01: Alibe 2010 – US$25
Um corte de Sauvigon Blanc e Semillón tentado seguir o estilo dos vinhos brancos do sul de Bordeaux, França.
De cor amarelo dourado claro. Grande viscosidade. Alta intensidade aromática remetendo à frutas ciítricas verdes. Na boca de bom corpo. Leve amargor no final. Retrogosto médio. Muito bom. 85 pontos.
02: Viognier 2010 – US$25
De cor amarelo claro. Viscosidade média. No nariz aromas delicados de pera e de média intensidade aromática. Na boca de corpo médio, boa acidez, toques dando uma gostosa mineralidade.Leve amargor no final. Retrogosto médio. Bom vinho. 83 pontos.
03: Carmenère 2010 US$20
Assustei quando me apresentaram um Carmenère, casta emblemática do Chile andando pelo Canadá, mas somente nesta vinícola.
De cor rubí mostrando sua jovialidade. Viscosidade média No nariz aromas de baixa intensidade remetendo a uma ameixa não madura. Na boca de corpo leve, macio, um pouco vegetal, e muito distante dos bons Carmenères do Chile. Valeu pela curiosidade. Razoável. 79 pontos.
04: Syrah 2010 – US$35
De cor violeta, brilhante. Viscosidade média. No nariz baixa intensidade aromática lembrando cereja madura. Na boca de corpo leve, macio. Retrogosto curto.Vinho bem elaborado. Para o dia a apesar de seu custo. Bom vinho. 82 pontos.
05: Nota Bene 2010 – US$60
Um corte de Cabernet Sauvignon (57%), Merlot (32%) e restante de Cabernet Franc.
De cor granada. Baixa Viscosidade. No nariz o álcool está sobressaíndo, desequilibrando o vinho. De baixa viscosidade aromática, lembrando couro. Na boca de corpo leve, retrogosto curto. Bom vinho. 82 pontos.
Le Vieux Pin
Esta vinícola se localiza no Okanagan Valley, próximo a cidade de Oliver.
Fomos recebido pela enóloga Severine Pint que fez uma apresentação da filosofia da vinícola: buscar vinhos no estilo francês. Nos vinhedos estão plantados as brancas: Chardonnay, Viognier, Marsanne e Russiane. As tintas; Pinot Noir, Syrah, Merlot e Cabernet Franc.
Severine comentou que na região de Okanogan, especialmente nos vinhedos próximos a cidade de Oliver a temperatura é amenizada pelas montanhas e pelo lago Okanogan, criando um micro-clima especial e diferenciado dos vinhedos da costa leste do Canadá.
Degustação:
01: Le Vieu Pin Rosé Naila 2011
Um rosé elaborado com a difícil casta Pinot Noir. De cor clara, cebola. Alta viscosidade, para um Rosé. Intensidade aromática média. Na boca de corpo médio, macio, elegante. Retrogosto médio. Muito bom, ao estilo de Borgonha. 85 pontos.
02: Sauvignon Blanc 2011
Este vinho foi elaborado com um rendimento de 2,8 toneladas por acres. De cor esverdeada, quase branca. No nariz leve aromas de maracujá não muito maduro. Intensidade aromática média. Na boca de bom corpo, bom ataque, ótima acidez, fresco. Muito bom. 86 pontos.
03: Syrah – 2009
Este vinho foi elaborado de uvas oriundas de três terroirs diferentes, fazendo um corte de uma casta só. De cor violeta bem escura. Muito viscoso. No nariz in, intensidade aromática média remetendo a baunilha oriunda do estágio em barris de carvalho de primeiro uso. Na boca, encorpado. Retrogosto médio. Muito bom. 85 pontos.
04: Équinoke Merlot 2008
A palavra équinoke significa equinócio (quando o dia e a noite tem a mesma quantidade de horas). É o equilíbrio de horas que passa para o vinho, que apresenta equilíbrio entre acidez, doçura, álcool e taninos. Tudo bem colocado em um corpo médio. No nariz aromas de couro e de ótima qualidade. Na boca taninos macios que atacam bem. Bom vinho. 87 pontos.
1 Comentário. Deixe novo
Com relação a este vinho, é produzida pela tradicional Fattoria dei Barbi com Merlot e Sangiovese (85%). Cor vermelho rubi, com toques grená, bem translúcida. Aromas bem fechados inicialmente, mas que abriram um pouco depois de alguns tempo na taça (o que alías é bem marcante com vinhos da sangiovese). Frutado com toque tostado. Na boca, tem corpo leve/médio, certa rusticidade nos taninos, mas com um bom conjunto. Final breve, mas agradável.